domingo, 17 de agosto de 2008

Literatura da Seca

Há obras extraordinárias que abordam a sistemática da seca e da fome no Nordeste do Brasil. Só para citar algumas: “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto (na literatura); “Asa Branca” de Luiz Gonzaga (na música).
Há uma mística nostálgica em torno da temática da seca e da fome. Há diversos escritores e pensadores iniciantes que insistem em produzir literatura abordando o tema. Devíamos nos contentar com as obras já célebres, como as citadas. Precisamos ver o Nordeste noutra perspectiva.
Enquanto o Brasil cresceu, em média, 5,4% em 2007, o Nordeste cresceu 5,9%. A população nordestina está inserida, substancialmente, nos 52% da classe média, cfe pesquisa da FGV.
Enquanto mistificamos o nordeste como sinônimo de seca, fome e miséria deixamos de focar o real potencial desta região.
A mistificação enquanto modo global, holístico de ver a realidade é, didaticamente, alienadora à medida que deixamos de ver e tratar as particularidades. Isto se aplica, sobretudo, no campo político e sociológico. O político que pensa o povo de modo coletivo assume o risco de não enxergar as particularidades. O sociólogo que procede desta forma comete um tremendo erro de entendimento.
Não é que não haja seca e fome no Nordeste. Estas existem e precisam ser vistas e tratadas como particularidades. O cidadão visto como povo tornar-se anônimo. Ou seja, onde há coletividade não há justa cidadania. Porque a cidadania só existe particularizada.

Cometemos o mesmo erro quando pensamos a nação brasileira. Há bastante literatura tratando de particularidades brasileiras, embora com caráter universal: “Os Sertões” de Euclides da Cunha, “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freire, etc. É importante lermos e estudarmos tais obras. Todavia, devemos ter a consciência de que elas não descrevem o Brasil de hoje: inserido na economia mundial e emergente; do tráfico, milícias e ausência do Estado; da educação deficiente; de classe média em ascensão, hoje 52% da população. O Brasil que, em 2030, segundo o Goldman Sachs, ocupará a 5ª posição entre as maiores economias do mundo.
Vivemos outra realidade: a era da internet, das economias e saber globalizados em que não é mais necessário viajar fisicamente para conhecer o mundo. O mundo cabe na tela do computador. Isto exige que o homem tenha a mente aberta e flexível, apta e receptiva a novos entendimentos, paradigmas e culturas.
Não há lugar para combates de religião, raça, sexo e ideologias. Luta armada, resistências, Che Guevara, Fidel Castro, etc. funcionaram no passado. O mundo, hoje, é de quem não faz guerras por ideologias ou dogmas; é de quem dispõe de caráter, educação social e diferencia-se pela competência. Esperteza é ser honesto. Isto pode parecer contraditório, pois nos parece, pelo que vemos na mídia e ao nosso redor, que os imorais estão levando vantagem.
O futuro será dominado pelas pessoas de caráter porque estas pessoas são mais comprometidas com a superação pessoal, tendentes a ter leitura mais exata das oportunidades. São pessoas amantes da literatura, das artes e da educação. Estas lhes dão um poder extraordinário.

Um comentário:

José Edimilson de Oliveira disse...

O Brasil sempre foi um país desigual. Sua cultura econômica, durante décadas, proporcionou desigualdades sociais absurdas. A centralização do poder na região Sul e Sudeste contribuiu muito para o empobrecimento das demais regiões, especificamente as do Norte e Nordeste do Brasil. Isto é fato histórico.
Os grandes homens: pensadores, educadores, sociólogos, políticos, escritores e compositores que direcionaram suas ações para questionamento das injustiças sociais e políticas vividas nessas regiões contribuíram, decisoriamente, para democratização do nosso país, principalmente reconhecendo nossa região como próspera e viável.

Luiz Gonzaga e Zé Dantas foram uns dos cancioneiros mais populares do Nordeste com dimensão nacional e internacional. E um dos seus principais temas em suas canções foi a critica a indústria da seca. Portanto existem os elogios que são benéficos e outros que são pura alienação; assim também acontece com as criticas.

Mas o Brasil está indo bem. O Nordeste e as demais regiões interioranas estão, aos poucos, conseguindo seu desenvolvimento. Mas com relação às preocupações sócias e novas melhorias estas não devem parar. O que se deve repudiar são o preconceito, a falta de respeito e a desinformação, porque geram noticias falsas com o intuito de alienar e com propósitos de deturpar a nossa região. Essas notícias podem ser críticas ou elogios.